405 the Movie - vídeo com efeitos do ano 2000 - Sugestão de Marcello Venturini



Quem viu a imagem acima e já se lembrou do que se trata, é internauta de longa data.

No ano 2000 o vídeo produzido por Bruce Branit e Jeremy Hunt acredito que tenha sido um dos primeiros virais da internet, me lembro de ter visto várias vezes o vídeo na época e achado incríveis os efeitos, mas me esqueci dele com o passar dos anos, e graças a sugestão de Marcello Venturini, venho apresentar o vídeo e um breve making of dele para o pessoal da nova geração.

O que esse vídeo tem de tão especial?

É um produção caseira criada por 2 cineastas autodidatas, divertida, de baixíssimo orçamento, produzida no ano 2000 com um mínimo de recursos e facilidades que temos com os softwares hoje e os efeitos ainda continuam sendo muito melhores e mais ousados que muita coisa criada hoje em dia com equipamentos 100x melhores :P

Assistam ao vídeo abaixo e logo após um resumo do making of para verem a dificuldade que foi fazer isso naquela época e como conseguiram um resultado tão bom.



405 the Movie - Making of


Todas as cenas foram gravadas em um final de semana, a câmera utilizada foi uma  Canon Optura que grava em mini DV.

A câmera possuía um único sensor CCD o que demandava muita luz para uma gravação nítida, o taxa de quadros utilizada foi 30fps por causa dos efeitos, na época o padrão dessas câmeras era 60fps interpolados.

Toda a gravação das cenas e repetição de ações rendeu 70 minutos de fita DV, após converter o material para o formato digital foi utilizada uma das primeiras versões do Adobe Premiere para a edição geral.

Na parte da computação gráfica, utilizando o LightWave 3D V6 (hoje o software está na versão 11.5) a dupla se superou, na maioria das cenas existem elementos digitais ou toda a cena é CG, além do jipe com direito a dublê digital e do avião, boa parte da avenida e toda a cidade nos planos aéreos são computação gráfica.



O processo de modelagem do avião durou vários dias, além do LightWave foi utilizado também o Photoshop para as texturas, o avião foi modelado em peças separadas para facilitar tanto a modelagem quanto a animação, as asas por exemplo eram compostas por 25 partes individuais, uma etapa muito importante nesse processo foi a pesquisa por material de referência que foi feita tanto por fotografias da aeronave, quanto por livros e manuais originais da parte mecânica do avião.


O modelo final do avião possuía 59 objetos individuais,  142.439 polígonos e cerca de 100mb de texturas.

Utilizando o software Digital Fusion que é um programa de composição profissional, os cineastas utilizaram técnicas de rotoscopia e sobreposição de camadas para limpar os carros da pista principal.


Para as cenas da senhora que dirigia o carro, o background foi criado digitalmente e aplicado por meio de chroma keyrotoscopia.


Toda a captura de movimento das cenas e track de câmeras foram feitas no Digital Fusion, muitas cenas tiveram que ser corrigidas manualmente quadro a quadro para evitar a perca de continuidade em alguns detalhes, como o teto solar do carro que foi criado a mão em várias cenas.


O vídeo foi trabalhado na resolução máxima possível (não informada) mas a versão original final teve que ser convertida em 240 x 320 pixels de tamanho para poder ser lançada na internet da época, onde as hospedagens de vídeo eram precárias. O vídeo presente nesta matéria foi re-enviado para o youtube há alguns anos apenas em resolução melhor.

Todo o trabalho para a conclusão do curta levou cerca de 3 meses e meio, sendo que a gravação foi feita em um fim de semana e todo o resto do tempo foi na pós produção.

Confiram o making of completo (em inglês) aqui: http://www.405themovie.com/makingof01.asp

Agora um informação bem legal para os que sempre reclamam que não conseguem fazer efeitos bons porque possuem computadores fracos :P

Os computadores utilizados para a criação de todos os efeitos e edição deste curta possuem as seguintes especificações:

Windows NT

Processador Dual Celeron 300 mhz, 384 MB de ram, 24 gigabytes de HD

Processador Pentium II 450 mhz, 512 MB de ram, 4 gigabytes de HD

Processador Pentium III 500 mhz, 256 MB de ram, 24 gigabytes de HD

A nível de comparação, meu celular possui:

Processador Quad-Core 1.4 Ghz, 1 GB de ram, 48 gigabytes de HD

Então galera espero que esse material sirva de inspiração e demonstração de que com pouco podemos fazer MUITO!

É o que eu sempre digo, tendo criatividade, determinação e força de vontade, com um mínimo de recursos quanto a equipamentos e softwares você já é capaz de fazer coisas grandiosas!

Bons estudos pessoal!

Ps. Agradecimento especial para Marcello Venturini que indicou o material.

11 comentários:

  1. em Fabricio posta um tutorial ensinando como remover carros da pista, por favor

    ResponderExcluir
  2. Depois que vi o documentário sobre o primeiro Star Wars e o equipamento (computador/software) que eles dispunham, nada mais me surpreende.
    Parabéns pela matéria e pelas informações técnicas.

    ResponderExcluir
  3. Marcello Venturini22 de maio de 2013 18:25

    Fabrício, foi um prazer colaborar. O trabalho desses caras sem dúvida servem de referencia para os estudos de hj.
    E parabéns pelo trabalho que teve em traduzir (o site dos caras com o making of é em inglês)e pela excelente interpretação.
    Espero que a galera realmente entenda que "mega computadores" não executam "mega produções" sem não tiverem "mega produtores" !

    Abraços

    ResponderExcluir
  4. ATENÇÃO: Já que o assunto é VFX eu convido a todos os membros do site a visitar o fórum do mesmo e participar de uma pesquisa feita pela Sra Rabachim sobre como é ser um profissional na área. let's go guys!

    ResponderExcluir
  5. Nessa parte de software eu descordo, pois os programas de hoje pedem super maquinas para renderizarem, um exemplo é after efcts, 3ds max e outros programas de computação grafica.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois eu queria muito um mega computador! Ficar horas e horas esperando o Max ou Maya exportar alguns segundos de uma animação não é nada agradável. É perda de tempo e dinheiro! Porém eu entendi o que o Marcello quis dizer, é parecido com "teoria sem prática". Óbvio que não adianta ter um mega computador, o melhor programa, etc e não saber usá-lo. Se o artista tem criatividade e domínio na sua área ele vai desdobrar um cubo em qualquer programa 3D em uma obra de arte e uma boa máquina é lógico que vai ajudar, a tecnologia está aí pra isso mesmo, para nos servir. Cuidado apenas para não nos deixar preguiçosos, acomodados. O melhor computador, o melhor estúdio, melhores artistas, etc mas sem um bom diretor criativo e competente não vai sair um bom resultado, lógico. Vice versa. O Fabrício postou um assunto recente sobre criatividade, então são várias vertentes que somadas fazem toda a diferença. Galera, são apenas minhas opiniões, o bom mesmo é essa troca de pontos de vista, informações e cada um vai tirando algum proveito pra si.

      Excluir
    2. OBS: Fiquei admirado em saber que na época já existia o Eyeon-Fusion que é um compositor também poderosíssimo na linha do Nuke. Muito bom, os caras fizeram um bom trabalho. Parabéns para eles!

      Excluir
  6. Marcello Venturini23 de maio de 2013 00:09

    Anônimo, não é bem isso que está sendo colocado aqui. A questão não é o poder de fogo que cada um tem, mas o que se pode fazer com ele. Tenho um I7, mas uso o Max 2009, que acho super mais leve e flexível e o AE cs5 e estou quase voltando pro cs4. Optei por rodar versões mais leves para ganhar em velocidade e ignoro novidades que as versões mais novas trazem até ter certeza que elas estão me fazendo falta.

    A melhor forma de vc avaliar sua capacidade técnica e criatividade em relação ao peso dos programas que tem é tentar fazer algo similar aos que os caras fizeram, utilizando as mesmas configurações deles. E vc ainda vai levar uma vantagem. Em 2000, não existiam milhares de tutoriais na internet.

    Topa ?

    ResponderExcluir
  7. comparar celular com pc de mesa também é complicado pois só processador ou memoria não são o suficiente para uma boa maquina pois também é preciso ter barramento de placa mãe alta , frequência e latência de memoria , velocidade de rotação do hd , etc . celulares são feitos bem abaixo das medias e programas bem mais leves são desenvolvidos para ele , um celular ainda ta bem longe de rodar um 3dsmax,,, mais entendo o que quis dizer e computadores quanto melhor melhor ainda mais para quem é estudante e não sabe o que faz e depende do render para ver o resultado final

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Anônimo, sei que a arquitetura é diferente, foi apenas a nível de comparação de valores, mas sim, um celular ou tablet poderá rodar o 3ds Max em breve, já existem testes da versão online comprovando isso, basta que o dispositivo tenha uma configuração razoável como a citada acima e suporte a html5 veja um exemplo em tablet ao final do vídeo: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=YUsCnWBK8gc

      Excluir
  8. yo fabricio, adorei o re link ao extra-ordinário 405 com qualidade HD,
    passei anos e anos mostrando a clientes e alunos de roteiro.
    os caras estavam vfx da produção de Star Trek Deep Space Nine e foi anunciado q seria o último ano... com medo de ficarem sem job eles produziram 405.
    uma das boas razões pela qual comecei a querer produzir vfx tb.

    ResponderExcluir